O Tutor e o Seu Papel

Um tema na ordem do dia, em virtude dos diversos cursos de treinador de Grau I e II que têm sido efectuados pelas diversas Associações de Futebol e entidades privadas.

Os estagiários de ambos os níveis precisam de um tutor, para os orientar durante esse percurso, que acaba ter a duração de uma época desportiva.

Nos primeiros anos, qualquer treinador com Grau II podia ser tutor de um treinador estagiário de Grau I, com determinados anos de experiência, e os estagiários de Grau II apenas teriam de procurar tutores com o diploma de Grau III ou IV.

Supostamente deveria haver um acompanhamento regular do tutor, como ir observar uma unidade treino, um jogo, etc. de forma a aconselhar e apoiar o treinador estagiário ao longo do percurso do estágio.

Ao mesmo tempo, supostamente o estagiário iria observar treinos e jogos do tutor, para observar “in loco” as ideias passadas pelo seu orientador, ter conversas regulares, havendo disponibilidade para tirar dúvidas e apoiar no processo de “amadurecimento” do treinador estagiário…

Nestes anos todos em que fui tutor de jovens treinadores de futsal (e já fui de diversas pessoas), dos formandos que não trabalhavam no mesmo clube que eu, apenas dois é que estiveram mesmo interessados e regularmente falavam comigo, potenciando esse acompanhamento. Os outros era eu que os tinha de ir abordando, na altura do relatório final aí sim tudo queria ajuda, e aí não estava disponível para isso…

A maioria dos tutores, e sei bem do que falo, queriam os créditos e os pequenos honorários que recebem, nem se davam ao luxo ler trabalho…

Depois surgiu esta nova ideia, boa como sempre, mas sem aplicabilidade, de criar a obrigatoriedade de fazer uma formação para tutores, com uma duração de 4-5 horas, que dá a qualificação para se ser tutor durante 3 épocas desportivas.

Durante essa formação, na “componente geral”, somos misturados com o futebol 11 e quase adormecemos, porque o formador percebe tanto de futsal como eu de fisica quântica, e lá depois vem o futsal na “componente específica”.

Em 2h ficamos prontos a ser tutores? E o nosso “diploma/título” é atribuído sem qualquer tipo de avaliação?

Quem depois monitoriza o trabalho do estagiário e do tutor?

NINGUÉM

Mais uma “ideia furada” de quem está no seu departamento técnico da FPF, porque tentam implantar ideias impraticáveis.

A minha ideologia é: se os estagiários estão no mesmo clube do tutor, aí resulta muito bem (já não digo no mesmo escalão, onde o acompanhamento é maximizado). Caso contrário, é para esquecer.

Por isso me tenho recusado alinhar em ser tutor apesar de ter o “título”.

Apesar de terem alterado que o estagiario tem de entregar parte trabalho a meio época e o relatório final, isso no final de contas muda o quê?

Queremos estar sempre na vanguarda, mas vejo demasiada burocracia mal implantada, e depois os decision-makers assobiam para ao lado…

Sei que sozinho não vou mudar o sistema, mas já chega de tanta coisa que está mal no futsal. Se queremos melhorar temos corrigir o que está errado e não estar sempre a elogiar o que está bem, é assim que se aprende. Infelizmente parece que alguém se esqueceu disso.

Saudações desportivas,

André Martins

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