Quem vai afinal à Taça Nacional?

O verniz estalou na AF Porto, com a ida da equipa B do ADCR Caxinas Sub-17 à Taca Nacional do mesmo escalão, depois de se ter sagrado campeão distrital, ao terminar em primeiro lugar da tabela na Divisão de Elite Júniores B.

Ora, as regras da AF Porto são “omissas” quanto às equipas B e as suas classificações para as competições da FPF, pois a participação desta equipa B na Taça Nacional não permite que a equipa compita pela subida ao Campeonato Nacional Sub-17 Futsal.

Achando que o regulamento era transparente e igual ao utilizado na AF Lisboa (onde frequentemente, as equipas B de Sporting CP e SL Benfica sagram-se campeões distritais, mas nunca lhes é permitido participarem na Taça Nacional pois não poderão alcançar a subida ao CN Sub-17, dando assim oportunidade a outra equipa da AF Lisboa de disputar a tão desejada subida de divisão), o FC Paços Ferreira estava a contar disputar a Taca Nacional e lutar pela subida ao CN Sub-17. A equipa festejou como tal quando alcançou o objetivo.

A meu ver aqui existem vários culpados, e não um único, como muitos querem fazer transparecer.

Em primeiro lugar, quando os clubes participam numa prova devem saber os regulamentos na totalidade, para isso existem coordenadores técnicos e diretivos, que falharam ao não lerem e aprofundarem o conhecimento do regulamento da prova.

Em segundo lugar, a AF Porto, por permitir que uma situação sem pés nem cabeça aconteça, penalizando os seus clubes associados (apenas uma equipa representante da AF Porto poderá disputar a subida de divisão, ao invés de duas).

Quanto ao ADCR Caxinas foi campeão com devido merito, acho que ninguém discute isso. E havendo a possibilidade de levar o seu emblema e atletas à Taça Nacional, obviamente que não se recusa tal convite. O problema está no “desvirtuar” das equipas B…

As equipas B são criadas quando temos o “feliz problema” de poder inscrever muitos atletas para um só plantel. Se tivermos recursos (humanos e não só) para gerir um segundo plantel, obviamente que não queremos dispensar o talento do clube, e cria-se a oportunidade de competir a um nível mais baixo, muitas vezes até “desdobrando” o escalão (neste caso como falamos de Sub-17, com a criação de um patamar intermédio Sub-16 para a equipa B). Com a oportunidade, alguns atletas até poderão dar o “salto” no seu desenvolvimento, como estamos ainda numa fase de grande desenvolvimento dos atletas.

O problema está em trazer várias vezes atletas da equipa A para jogar pela B, com o simples objetivo de serem campeões. A pergunta que se coloca é: para quê?

O que ganham esses atletas com a sua vinda à equipa B e fazer 2 jogos por fim de semana? (em realidades completamente distintas) Se têm qualidade vão aos Sub-19, ou o objetivo passaria pela criação de uma equipa B de Sub-19 para dar a oportunidade a esses atletas no escalão acima (embora no patamar mais baixo, devido ao ajuste etário manteriam a competitividade)…

O que perdem os atletas que figuram com maior regularidade na equipa B, com a vinda dos atletas da equipa A para “ganhar jogos”?

Resumindo, eticamente de facto que não é correcto o ADCR Caxinas B ir à Taça Nacional, mas aproveitou bem as lacunas existentes (que tenho a certeza que o seu coordenador Raul Moreira sabia perfeitamente, pois é uma pessoa extremamente competente relativamente ao conhecimento dos regulamentos).

Agora não há nada a fazer, a não ser os clubes associados se unirem para que isto não se volte a repetir no futuro. O problema é que os clubes não se unem para pressionar a AF Porto.

O meu conselho é que leiam os regulamentos das provas e protestem antes de começar a epoca, no devido local e com os agentes certos, para que se possam corrigir as situações em boa hora e levar as competições a “bom porto”.

Cumprimentos,

André Martins

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