Crioterapia e o Rendimento Desportivo

A crioterapia, como o próprio nome indica, é uma terapia efetuada inicialmente através da utilização do gelo, para a estimulação mais da rápida da recuperação dos músculos, bem como uma forma preventiva da ocorrência de lesões.

Nos últimos anos tem havido uma evolução significativa na utilização desta terapia, bem como o surgimento de várias teorias sobre a temperatura adequada a que o atleta deve ser exposto, bem como sobre se a terapia deverá ser efetuada com recurso a uma piscina com mistura de água e gelo, ou a um nível mais elevado nas câmaras/cabines que foram produzidas para surtir o mesmo efeito.

Já utilizo esta prática há 9 anos com as minhas equipas. Aprendi esta técnica/terapia com o Paulo Tavares.

Aplico sempre uma sessão de crioterapia após o treino mais intenso da semana, tendo em conta o nosso microciclo padrão, costuma ser no segundo treino dado que temos três treinos semanais. Coincidência ou não, esta época desportiva foi pouco utlizada durante a primeira fase, e isso notou-se na ocorrência de algumas lesões musculares e alguma fadiga nos atletas, razão pela qual no início da segunda fase efetuamos todas as semanas a crioterapia de forma regular e observaram-se resultados com melhor comportamento dos atletas ao nível da recuperação da fadiga, bem como a diminuição das dores musculares. Sendo que muitas vezes já são os próprios atletas que pedem para efetuar a terapia.

Uma das grandes questões que tenho dúvidas é qual a temperatura ideal, uma vez que não existe consenso generalizado, embora a maioria dos artigos mencionam os 11ºC. Era algo que se alguém quiser debater na caixa de cometários deste artigo seria ótimo. Bem como uma situação mais preocupante: será que a crioterapia cria viciação muscular dos atletas, fazendo com que a recuperação normal (sem recurso a crioterapia) seja mais retardada?

Mesmo tendo em conta estes fatores, aquando da realização das obras no Pavilhão Municipal de Vizela, pedi à direção para que fossem criadas condições para a realização regular da terapia no balneário. Algo que foi aceite de bom grado e que nos permitiu ter melhores condições para efetuarmos esta terapia e melhorar o rendimento desportivo de cada atleta. Que no final de contas acaba por melhorar o rendimento desportivo coletivo, que é o grande objetivo.

Ao nível do recurso em si (o gelo), adquirimos e utilizamos de duas formas: sempre que possível vamos às docas comprar o gelo (custo acrescido, maior conveniência) ou quando não é possível dirigirmo-nos às docas para adquirir o gelo, vamos congelando garrafões de água vazios/inutilizados, depois de os encher com água da torneira, e depois simplesmente partimos o gelo em pedaços para colocar na piscina (custo residual, menor conveniência pois investimos cerca de 1h a partir o gelo).

André Martins

1 Comment

  1. Vítor Costa

    A massagem e a utilização de calor parecem ser os melhores métodos da recuperação e redução da dor muscular tardia e aí a melhor altura a ser aplicado seria após o esforço. No caso de não haver possibilidade de aplicar estas duas práticas a crioterapia tem uma eficiência muito reduzida, quase perto da recuperação passiva (comprovado por biomarcadores). No entanto tem um efeito placebo muito forte no caso se querer usar nesse caso deve ser feito apenas as zonas mais recrutadas e não o corpo por inteiro, nesse caso específico de aplicação deve ser utilizado após o esforço e antes do período onde queremos a máxima performance. Apesar da forte componente de placebo a temperatura da água e o tempo onde os melhores resultados foram encontrados foi entre os 11-15 graus e os 11-15 minutos. Mas para ressaltar este ponto mesmo entre 11-15 minutos e 11-15 graus foram encontradas muito poucas diferenças estáticas em relação á recuperação passiva.
    Em suma dar preferência há utilização de massagem e calor após o esforço, no caso de não ser possível e se querer usar pelo mínino de recuperação e pelo efeito placebo deve ser usado depois do esforço e antes da situação de maior performance com a temperatura da água entre 11-15 graus e com duração de 11-15 minutos. Isto aplicado há recuperação, estes valores não podem ser utilizados em relação a tratamento clínico. Em relação há ocorrência de lesões elas são multifatoriais sendo a recuperação um desses fatores.

    Dupuy O, Douzi W, Theurot D, Bosquet L, Dugué B. An Evidence-Based Approach for Choosing Post-exercise Recovery Techniques to Reduce Markers of Muscle Damage, Soreness, Fatigue, and Inflammation: A Systematic Review With Meta-Analysis. Front Physiol. 2018 Apr 26;9:403. doi: 10.3389/fphys.2018.00403. PMID: 29755363; PMCID: PMC5932411.

    Machado AF, Ferreira PH, Micheletti JK, de Almeida AC, Lemes ÍR, Vanderlei FM, Netto Junior J, Pastre CM. Can Water Temperature and Immersion Time Influence the Effect of Cold Water Immersion on Muscle Soreness? A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports Med. 2016 Apr;46(4):503-14. doi: 10.1007/s40279-015-0431-7. PMID: 26581833; PMCID: PMC4802003.

    Wilson LJ, Dimitriou L, Hills FA, Gondek MB, Cockburn E. Whole body cryotherapy, cold water immersion, or a placebo following resistance exercise: a case of mind over matter? Eur J Appl Physiol. 2019 Jan;119(1):135-147. doi: 10.1007/s00421-018-4008-7. Epub 2018 Oct 11. PMID: 30310979.

    Bahr R, Krosshaug T. Understanding injury mechanisms: a key component of preventing injuries in sport. Br J Sports Med. 2005 Jun;39(6):324-9. doi: 10.1136/bjsm.2005.018341. PMID: 15911600; PMCID: PMC1725226.

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