Como escolher o capitão de equipa?

Um assunto pertinente todas as épocas: a escolha dos Capitães de equipa por norma todas as temporadas dá muitas dores de cabeça aos treinadores de futsal.

Vou aqui enumerar elações retiradas das várias situações com que já me deparei ao longo destes 21 anos de carreira, bem como incluir sugestões para cada treinador ver qual se adequa mais à sua realidade, pois não há uma fórmula mágica, dependerá muito do grupo de trabalho.

A primeira situação é a que acontece com mais frequência: o atleta com mais anos de casa é nomeado capitão, tem a vantagem de este poder passar a mística do clube aos novos colegas, a grande desvantagem (ou o grande handicap) é que frequentemente esse atleta não tem o perfil de liderança que se pede a um capitão de equipa.

A segunda situação que ja me deparei é o capitão ser escolhido em função do perfil, tendo muitos anos de casa ou não, normalmente é por esta que opto, e se o atleta tiver uma forte personalidade de líder, os colegas rapidamente reconhecem a escolha como acertada.

A terceira situação que já defrontei é o capitão ser imposto pela direcção do clube. Eu contrapus ao máximo, dado que não acho que seja uma decisão directiva mas sim da equipa técnica, avaliando vários fatores do treino e jogo, que a direção do clube não consegue ter em conta.

A quarta situação que já me deparei, foi deixar o grupo escolher o capitão e nós equipa técnica fazemos também a nossa escolha. Em 19 anos como treinador principal só fiz isto por duas vezes, dado que é preciso um grupo unido para que este método funcione. Da primeira vez que o fiz foi no escalão de Juniores do Gondomar Futsal, aí não houve a mesma escolha e prevaleceu a da equipa técnica, enquanto que a opção dos jogadores ficou a sub-capitão.
A última vez foi na época passada nos Sub 19 do Desportivo Jorge Antunes, e escolha dos atletas coincidiu com a da equipa ténica portanto foi um consenso fácil.

A quinta e última situação é ao chegar a um clube novo, onde já há um capitão mas que não vai de acordo com o que o treinador procura. Neste caso a mudança de capitão, ao concretizar-se, não será fácil, pois retirar a braçadeira a um atleta que já a enverga há algum tempo pode desmoralizar não só esse jogador, mas também poderá afetar a dinâmica do grupo.

Aqui ficam um conjunto de ideias para reflectirem e se quiserem dar a vossa opinião… A troca de ideias é sempre enriquecedora!

Perante estas situações vou agora dar algumas sugestões:

O perfil do capitão é extremamente importante, mas depende também do grupo onde está inserido. Num grupo normal o capitão deverá ser aquele jogador que vem sempre aos treinos com garra e vontade de evoluir, espírito competitivo, que incentive ou chame a atenção aos colegas, para que estes o vejam constantemente como um líder dentro de campo.

Normalmente, quando chego a uma equipa nova, só no final da pré época escolho o capitão de equipa, para ter tempo de conhecer bem os jogadores e as dinâmicas do grupo. Nos jogos amigáveis ou torneios de pré-época rodo a braçadeira (e isto também é um teste muito importante, dado que há jogadores que com a braçadeira se transformam, às vezes para melhor outras para pior, principalmente perdem-se a discutir com a arbitragem).

Outra situação que já me aconteceu várias vezes é que o líder do balneário é um jogador problemático, não tem o perfil de capitão. O que fazer nesta situação?

Normalmente aí dou o posto de sub-capitão e tento explicar a responsabilidade que lhe estou a dar. Embora algumas vezes tenha dado a braçadeira e correu tudo bem e o atleta cresceu, noutras nem ao final da primeira volta chegou com a braçadeira.

Cada caso é um caso, não há uma receita mágica para a escolha do Capitão de equipa, podemos é tentar ao máximo aumentar a probabilidade de ter sucesso na escolha deste.

André Martins

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