A popularidade do futsal ainda está a crescer?

O futsal tem atravessado um período prolongado de crescimento na Europa e na maioria das nações a nível mundial que são adeptas de futebol de 11. Se por um lado o futsal é visto como uma versão “reduzida” do desporto rei (equipas de cinco jogadores em campo, com apenas 40 minutos de jogo, dentro de uma quadra bem mais pequena que um campo de futebol). Por outros é considerado um desporto mais entusiasmante, uma vez que as partidas de futsal são mais repletas de ação, com mais incidentes e (por norma) golos, garantindo mais entretenimento, com habilidades espetaculares de vários atletas e jogadas em equipa mais cativantes ao espectador.

Mas por que o futsal se tornou tão popular em tão pouco tempo? Passo a citar alguns dos motivos:

  • Entretenimento: conforme já mencionado.
  • Ferramenta de treino: uma das principais razões para o repentino crescimento da popularidade do futsal é o facto de ajudar os jogadores a desenvolverem seu toque e controle. Arremessos menores, menos jogadores e uma nítida falta de espaço força os participantes a procurarem constantemente “criar espaço”, melhorar a precisão de passe e focarem-se em manter a posse da bola. Muitos dos grandes nomes do mundo do futebol, principalmente na América do Sul, aperfeiçoaram as suas habilidades como futebolistas ao serem praticantes de futsal ao longo da sua formação como atletas. Exemplos: Ronaldinho, Ronaldo, Zico.
  • Aproximação ao “futebol de rua”: as dimensões da quadra (e outrora, na altura do “futebol de salão”, a possibilidade de usar as paredes ao redor para passes e dribles improvisados) ​​tornam a modalidade muito semelhante à forma mais primitiva do jogo.

Mas será que nos dias que correm, essa popularidade continua em constante crescimento?

Gostamos de crer que sim, com a criação de mais e melhores condições financeiras para os clubes e atletas, sobretudo a nível europeu, bem como a notoriedade crescente das competições internacionais (ex: UEFA Futsal Champions League). No entanto algumas tendências revelam-se algo preocupantes, sobretudo se olharmos para os intervenientes do “futsal de amanhã”, que são as atuais camadas jovens.

Verificamos uma dificuldade crescente em encontrar atletas motivados para a prática da modalidade. Essa dificuldade é mais notória nos escalões de idades mais baixas (Traquinas, Benjamins, Infantis) mas também é sentida nos escalões de Juvenis e Juniores, pois vários clubes que outrora faziam treinos de captações em que apareciam potenciais atletas suficientes para preparar dois plantéis, hoje vêem-se forçados a não inscrever equipas em alguns escalões por falta de atletas.

Alguns motivos que levam a que esta tendência esteja em força são uma baixa na taxa de natalidade, o que faz desde logo que a quantidade de jovens das gerações mais novas seja inferior ao número a que estávamos todos habituados há algumas gerações atrás. Mas também devemos aliar isso ao facto de a maioria dos jovens ter um desinteresse acrescido pelo desporto, preferem dedicar a maioria do seu tempo de lazer envoltos de tecnologias (redes sociais, video-jogos, etc.).

A questão que gostávamos de aqui deixar para reflexão é: como podemos nós, intervenientes no “futsal de amanhã” (treinadores, clubes, diretores, associações de futebol, etc.) inverter esta tendência?

Carlos Duarte

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